domingo, 24 de janeiro de 2016

Anoxia, hipoxia perinatal, neonatal versus autismo

Publicado por Renata Becattini




Tendo eu, há muitos anos, iniciado minhas pesquisas e luta para divulgar a anoxia e suas complicações, frequentemente, deparo-me com pessoas legais ou mesmo da área questionando minhas teorias e publicações. Em vista disso, fiz este capítulo totalmente técnico, porém, perfeitamente claro para qualquer leitor consiga assimilar. Friso bem que minha principal fonte é minha pesquisa de campo e no atendimento aos meus próprios pacientes, mas, como comprovo a seguir, não estou sozinha em minhas teorias e é bom que os profissionais acordem para o novo que não é tão novo assim e que merece atenção e, acima de tudo, respeito.

Falarei agora das comprovações em pesquisa desde 1971 até os dias de hoje, com os temas anoxia/ hipoxia perinatal/ neonatal e outras ocorrências durante ou logo após o parto como possíveis causas do autismo.

Lendo-se o manual de psiquiatria infantil, de Ajuriaguerra, na pag 701, encontra-se a descrição de autismo publicada por B.A. Ruttemberg (1971) que diz que: “ O autismo infantil é uma síndrome clinica, com alguns sintomas de base e uma variedade infinita de intensidades relativas e de variações secundárias. Ele considera atores etiológicos intrínsecos orgânicos (constitucionais e adquirido) e psicológicos ambientais como um continuum. Com um numero quase infinito de combinações possíveis, comportando, em um extremo, uma etiologia intrínseca completa e, no outro, uma etiologia completa ambiental. Ele acha útil dividir a etiologia autista em quatro grupos. Os dois primeiros corresponderiam a uma vulnerabilidade de pré-disposição, os dois últimos são secundários a um impacto ambiental.”

Na citação “b” desta descrição, lê-se o seguinte: “Vulnerabilidade congênita, muito mais geral e variada, devido a uma lesão intrauterina ou a um traumatismo obstétrico que tenha provocado disfunções ou distúrbios cerebrais.” Ainda que estas deficiências impliquem uma predisposição ao autismo e à vulnerabilidade, seu efeito pode aparecer bem cedo ou muito mais tarde, conforme o equilíbrio entre o estresse e o meio possa compensá-los. O detalhe importante é que traumatismo obstétrico, distócia e anoxia/hipóxia estão no mesmo nível, ou seja, estão sujeitos a ocorrência durante o parto e, para este autor, podem ser fatores desencadeantes para o autismo.

No manual de psiquiatria infantil, na pag 698, E.M. Ornitz e E.R.Ritvo (1968) dizem que: “A criança autista apresenta incapacidade para manter a Constancia da percepção, o que significa dizer que percepções idênticas, provindas do ambiente, não são experimentadas como sendo as mesmas a cada vez. Esta incapacidade tem por resultado, ao acaso, uma subcarga ou sobrecarga do sistema nervosos central.”

Esta enfermidade é, por excelência, a enfermidade do contato e da contaminação. É o exemplo mais significativo da relação neurológica que existe entre afetividade, contato corporal e comunicação. Esta função bloqueada no portador de autismo não é uma anomalia do córtex, como ocorre no caso de uma criança deficiente mental. É uma típica disfunção das estruturas límbico- hipotalâmicas, que são as fontes biológicas das emoções.

Francisco B. Assumpção, professor docente-livre do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, psiquiatra da infância e da adolescência, professor livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP, professor associado do Instituto de Psicologia da USP e membro da Academia Paulista de Psicologia (cadeira 16) cita que: “ As causas do autismo são desconhecidas, mas diversas doenças neurológicas e/ou genéticas foram descritas com sintomas do autismo. Problemas cromossômicos, gênicos, metabólicos e mesmo doenças transmitidas/adquiridas durante a gestação, durante ou após o parto, podem estar associados diretamente ao autismo. Entre 75 a 80% das crianças autistas apresentam algum grau de retardo mental, que pode estar relacionado aos mais diversos fatores biológicos. Portanto, a evidencia de que o autismo tem suas causas em atores biológicos é indiscutível, fazendo-nos reconsiderar a ideia inicial de ligarmos o quadro de autismo a alterações nas primeiras relações entre mãe e filho.”

Em um numero monográfico sobre o autismo, a revista Archives os pediatrics & Adolescent Medicine publica vários estudos sobre os fatores de risco relacionados com o autismo: “ A privação de oxigênio durante o parto parece influenciar a sua vez a desencadear o autismo. Contudo, não está muito claro se está relacionado com fatores envolvidos nessa hipoxia, ou se a origem está na própria falta de oxigenação cerebral. Certas condições como a hipertenção maternal, a diabetes gestacional o nascer envolvido com cordão umbilical no pescoço (enforcado pelo cordão umbilical) podem intervir nesta relação de anoxia/ hipoxia.

Resultados: Sete estudos epidemiológicos foram identificados que preencheram os critérios de inclusão. As características dos pais associadas com um maior risco de autismo e desordens do espectro autista incluído a idade materna e paterna avançada e o local do nascimento da mãe fora da Europa ou da América do Norte. As condições obstétricas que surgiram como importante caíram em duas categorias: (1) peso ao nascer e duração da gestação e (2) a hipoxia intraparto.

Conclusões: As evidências que sugerem que a idade dos pais e obstétricas (hipoxia) são associadas com um maior risco de autismo e desordens do espectro do autismo

Fonte: Livro transtornos de comportamento e distúrbios de aprendizagem; Autor: Lou de Olivier

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